Um mundo interior precário nos fará vítimas do tédio de sermos, nós próprios, áridos e insípidos. Fará com que lancemos mão de todos os recursos possíveis para nos esquecermos de nós mesmos, de nossa miséria, de nosso abandono, e disso nascerá uma necessidade desesperada de socialização. Por tal motivo os indivíduos mais vulgares costumam ser os mais sociáveis. A carência provocada pela pobreza de suas individualidades os torna extremamente dependentes de recursos externos, de modo que seu único prazer na existência consiste em fugir de si mesmo. Indivíduos brutos são mais sociáveis porque os únicos prazeres que podemos cultivar sozinhos, sem que haja dor envolvida, são os de natureza intelectual — significando que nossa capacidade de desfrutálos estará determinada pela grandeza de nossa inteligência. Diferentemente dos prazeres físicos, cuja satisfação sempre se mistura à dor, os prazeres intelectuais realizam-se sem qualquer sofrimento. Uma mente eminente é, por si só, uma fonte ines...