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A utilidade do otimismo

Como o universo da prática é considerado o mundo real por excelência, é compreensível que a veracidade, ou melhor, o valor das perspectivas seja mais pesadamente avaliado pelas suas consequências positivas que pelas suas evidências ou sua fundamentação lógica. Assim, se o fato de acreditarmos que “no fim, tudo dará certo” nos ajuda de algum modo, digamos, reduzindo nossa ansiedade quanto ao futuro, teremos um bom motivo para julgar a mentira preferível em termos de resultados finais positivos. Quando temos como finalidade a motivação, mentir a respeito de questões que melhorarão nosso desempenho torna-se uma postura bastante lógica. A oração é um ótimo exemplo disso. Do ponto de vista da verdade, uma oração equivale a um procedimento placebo que consiste em acreditar, imbuído de um otimismo intelectualmente indecente, que tudo dará certo porque uma projeção pueril de uma providência beneficente paterna violará as leis naturais para ajudar um mamífero insignificante a conquistar seus objetivos igualmente insignificantes. Porém, do ponto de vista da prática, uma oração serve para melhorar nossas chances de sucesso através de uma postura confiante. Justifica-se por ser útil, não verdadeira. 









A. Cancian

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