Nossa situação não é muito diferente daquela de um burro que tem uma cenoura pendurada à sua frente.
Nossa cenoura se chama felicidade. Perseguindo-a, corremos em busca de algo que jamais alcançaremos.
Temos a impressão de que nascemos para ser felizes, mas apenas porque estamos presos à lógica interna
de nossa natureza biológica. A condição de ser vivo nos impõe como referenciais supremos o prazer e o
sofrimento. Contudo, o prazer é apenas um mecanismo psicológico arquitetado para influenciar nosso
comportamento, não uma realidade à qual estamos caminhando. Isso ficará claro se considerarmos o fato
de que, ao alcançarmos a satisfação de algum desejo, teremos apenas alguns instantes de prazer como
recompensa e, em seguida, já nos começam a molestar novas necessidades que nos tornarão inquietos.
Não tardará para que partamos novamente à ação, num ciclo de insatisfação que só terminará com a
morte do indivíduo ou com a aquisição de um grão de bom senso.
A. Cancian in O Vazio da Máquina
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