Pense na correria do dia a dia, nas obrigações para a sobrevivência e, em meio a elas, consequentemente, os desvios de atenção, as muitas tarefas precisando de muitas atenções e, constantemente, seu foco de pensamento sendo direcionado a cada uma, com pouco tempo para assimilar uma só delas de maneira intensa. Esse é um retrato vivido diariamente por todos os seres humanos e podemos chamá-lo de: irreflexão do cotidiano.
Sob a irreflexão do cotidiano, temos, pelo pouco tempo em pensar, uma crítica rasa e superficial sobre qualquer coisa, onde começamos nos limitando a "primeira aparência" que temos dela, que é o primeiro impacto da imagem de algo quando a olhamos e, sem refletir, de maneira impulsiva e dependente dos preconceitos do nosso meio de convívio, concluímos que ela é o que é por tal motivo. Ao refletir um pouco mais, colocando mais tempo de atenção sobre àquela coisa, temos uma "segunda aparência", que pode se sobrepor a primeira e mudar nossa ótica sobre a coisa que vemos, totalmente, ou, parcialmente. Quando refletimos mais um pouco, poderemos observar uma "terceira ou quarta aparência", ou talvez, excluindo, por uma analogia de falseabilidade, voltarmos a dar mais crédito a primeira aparência - porque simplesmente a julgamos certo sem precisão adequada, um acerto ao acaso.
Quando sob a irreflexão do cotidiano, estamos vulneráveis a julgar a realidade objetiva, que está fora de nós, com pouca precisão do que ela realmente é, e sua representação chega a nós de maneira ilegítima. Só quando paramos para refletir mais um pouco e de pouco à muito, é que ela começa a se mostrar como é de fato e sua representação para nós acaba ficando mais determinante. Essa visão mais ampla sobre as coisas, nada mais é do que nossa crítica sendo aguçada e só conseguimos ter esse desenvolvimento, porque paramos para pensar melhor.
O fato de parar para pensar melhor, é o fato de colocarmos nossa atenção total em algo, e isso é crucial para nossa observação, porque se não fizermos isso, nossa conclusão sobre o que vemos pode ser totalmente ou parcialmente errada. Essa é exatamente a justificativa da importância da ociosidade na filosofia.
Sabendo de maneira direta disso, é que os gregos antigos se prostravam à procrastinação e simplesmente pensavam. Pensavam porque queriam conceber em totalidade o mundo à sua volta, achar uma razão para tudo.
Para ver com exatidão alguma coisa, é necessário pensar profundamente, e como pensar dessa maneira sobre algo, se nossa atenção está voltada a inúmeras coisas? O máximo que conseguiremos fazer ao pensar sobre muitas coisas ao mesmo tempo, é pensar de forma leviana. É por isso que a ociosidade é a base para a reflexão e consequentemente se faz base para a filosofia.
Para filosofar é preciso parar a agitação que nos tira a atenção; É preciso sentir a monotonia do tempo passar, deixar a imprecisão da turbulência das ações e se limitar à sentar e meramente indagar do porquê isso ou porquê aquilo.
Matheus Ferreira
Só percebi a vida na de pressão
ResponderExcluirQuando tudo la fora paralisou ...
O tempo ...
Tempo precioso pra pensar ..
Nem todos podem por ele pagar!!
O valor do tempo não se pode
Precificar
É reverso
Um escambo cruel impulsivo ...
Movido pela pressão capitalista
Midiática
Trocamos a coisa mais valiosa que
Possuímos sem perceber ...
E o preço que pagamos é uma perda de tempo
Madrugadas silenciosas
Preciosa raridade
Um despertar sem programar
Foi inesperado...
Foi algo dentro de mim
Me dizendo
Precisei parar tudo la fora
Pra começar tudo aqui dentro
Minhas escolhas não foram
minhas ...
dentro de mim freneticamente uma bomba relógio apita
E o tempo perdido prefiro nem lamentar
Lá fora tudo continua parado
E a bomba aqui dentro ?
quando vai estourar ?
Não faço ideia ,
Ainda não aprendi a contar
ainda não aprendi a contar regressivamente para o infinito