Num mundo cada vez menos empático e com a sensibilidade emocional suprimida pelo intelecto racional, é comum o aumento da depressão e o aumento do suicídio. Porém, o problema não necessariamente tem de atingir níveis elevados de um estágio depressivo, como num sofrimento contínuo e progressivo no cotidiano, já que ele provém de uma desordem química no cérebro, dos componentes que liberam o sentimento de prazer: a dopamina, serotonina, endorfina e ocitocina; Logo, se houver uma perda significativa súbita desses "hormônios da felicidade", teremos um quadro intenso repentino e um provável suicídio imediato sem qualquer maturação.
Excluindo certas possibilidades, existe, ainda, um tabu em torno do tema, que se parece com uma trava irreflexiva culturalmente aceita sob viéses preconceituosos, digo até, religiosos.
Viemos parar na existência sem qualquer direito de escolha, por que, então, não ter direito de escolha, já participantes da vida de maneira aleatória, sobre findá-la, e sermos, assim, os controladores do nosso destino final? Dentre todos os argumentos contra o suicídio e o direito individual ao suicídio, não vemos qualquer razão consolidada que possamos creditar como plausível para impedir-nos realmente - além de taxações e apelos emocionais.
Na realidade, o suicídio pode acontecer sob qualquer situação e a única prevenção que temos são boas noites de sono, exercícios físicos, lazer e horas chatas de terapia psicológica.
Os pensamentos suicidas surgem pelo desejo de salvação e ele é a motivação que nos impulsiona ao ato. Aliviar o sofrimento da existência mergulhando no nada da morte é bem tentador, mas tão lógico quanto um delírio - igual aos outros delírios que tentamos evitar. Se não conseguiremos e concluímos, como ultimato, que não há salvação dos nossos problemas que nos trazem inquietações angustiosas, como chegamos, então, à conclusão de que a morte vai nos salvar de alguma maneira, e, assim, sanar nossas dores?
Se a morte é a volta a inexistência, o nada absoluto, como estaremos conscientes quando vierem as sensações de prazer pela perda total dos sofrimentos? A resposta é: isso não acontecerá. Se a salvação não se dá enquanto vivos, tampouco se dará quando mortos. Daí concluímos que para suicidar-se, escapa-se as razões, ou seja, você terá de cometer o ato sem qualquer sentido lógico real.
Se a morte é a volta a inexistência, o nada absoluto, como estaremos conscientes quando vierem as sensações de prazer pela perda total dos sofrimentos? A resposta é: isso não acontecerá. Se a salvação não se dá enquanto vivos, tampouco se dará quando mortos. Daí concluímos que para suicidar-se, escapa-se as razões, ou seja, você terá de cometer o ato sem qualquer sentido lógico real.
Visto esse raciocínio, a pergunta é: por que não procurar meios de sentir prazer e de resolver os problemas na vida, já que estamos fadados a ela? Por que não ressignificar nossa ótica sobre ela? Num pensamento de lucro, adiantar a morte não representa qualquer ganho, já que ela virá inevitavelmente. A opção mais inteligente é abster-se de sofrer galgando conforto e suportar a vida. Esse é o sofrimento que o cosmo, injustamente, nos submeteu. Esse é nosso cárcere.
Matheus Ferreira
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