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Mostrando postagens de maio, 2021

No princípio era a Ação - Goethe

No princípio era o Verbo. É esta a letra expressa; aqui está... No sentido é que a razão tropeça. Como hei-de progredir? há ’í quem tal me aclare? O Verbo!! Mas o Verbo é coisa inacessível. Se apurar a razão, talvez se me depare para o lugar de Verbo um termo inteligível... Ponho isto: No princípio era o Senso... Cautela nessa primeira linha; às vezes se atropela a verdade e a razão co’a rapidez da pena; pois o Senso faz tudo, e tudo cria e ordena?... É melhor No princípio era a Potência... Nada! Contra isto que pus interna voz me brada. (Sempre a almejar por luz, e sempre escuridão!) ... Agora é que atinei: No princípio era a acção.   Goethe - Fausto

A força do homem convertida em estro - Goethe

Mas não raro igualmente esmeros de arte do diuturno desprezo alfim triunfam. Quem de brilhos se paga abdica os evos. Vão à posteridade as obras-primas. (...) Tantos entes diversos, desconjuntos, quem os une em convívio harmonioso? quem transforma paixões em tempestades? quem acende arrebóis na mente escura? no caminho da amada quem semeia as flores mais louçãs da primavera? quem de tênues folhinhas entretece c'roa, que a todo mérito premeie? quem funda Olimpos? quem despacha deuses? a força do homem convertida em estro. Goethe em Fausto

Cata-vento - Voltaire

 Há um número prodigioso de judeus que esperam o Messias e que preferiram deixar-se empalar a confessar que ele já veio. Vi milhares de turcos persuadidos que Maomé escondia metade da lua na manga. O populacho, de um extremo a outro da Terra, acredita piamente nas coisas mais absurdas. No entanto, se um filósofo tiver de dividir um escudo com o mais imbecil desses infelizes em que a razão humana se acha tão horrivelmente obscurecida, é certo que o imbecil levará a melhor. (...) É só olharmos para o cata-vento: gira, ora ao suave bafejo o Zéfiro, ora ao sopro violento do aquilão: eis o homem. Voltaire em Pot-Pourri

A cultura é o símbolo da natureza humana e expressa-a como que por metáforas ou desvios que levam para, ou representam, o mesmo propósito

     Jung não concebe a natureza e a cultura como diametralmente opostas uma à outra. Pelo contrário, considera que ambas pertencem à natureza humana de um modo fundamental. As invenções humanas da cultura e da especialização no trabalho produzem-se mediante a criação pela mente de análogos para as metas e atividades instintivas. Tais análogos funcionam como símbolos. 22 ideias e imagens — conteúdos mentais — canalizam a libido em novas direções, desviando-a de seus gradientes e objetos naturais. Por exemplo, surge na criança pequena uma ideia que é tão atraente quanto a imagem do seio nutrício. Essa ideia, concretizada em atividades lúdicas, atrai para si mais energia do que o próprio seio e permite à criança retardar a satisfação da necessidade premente de mamar e, por fim, o desmame espontâneo. Na vida adulta, o análogo ou símbolo que substitui o seio pode ser uma refeição de gourmet. O pensamento de desfrutar de haute cuisine oferece ao adulto o mesmo tipo de calmante...

Para o Viés Cínico (1)

     Em termos gerais, os complexos são criados por traumas. Antes do trauma, a peça arquetípica existe como imagem e força motivadora mas não tem as mesmas qualidades perturbadoras e produtoras de ansiedade do complexo. O trauma cria uma imagem mnêmica emocionalmente carregada que se associa a uma imagem arquetípica e, juntas, essas congelam numa estrutura mais ou menos permanente. Essa estrutura contém uma quantidade específica de energia e pode com esta ligar-se a outras imagens associadas para criar uma rede. Assim, um complexo é enriquecido e ampliado por experiências ulteriores de uma espécie semelhante. Mas nem todos os traumas são de natureza externa ou provocados por colisões abrasivas com o meio circundante. Existem traumas que ocorrem sobretudo no interior da psique individual. Jung indica que complexos podem ser também criados ou suplementados por “um conflito moral que deriva, em última instância, da impossibilidade aparente de afirmar a totalidade da naturez...