"Se fizéssemos um homem ver claramente os terríveis sofrimentos e misérias a que sua vida está exposta constantemente, ele ficaria horrorizado; e se conduzíssemos o otimista crônico pelos hospitais, enfermarias e salas de operações cirúrgicas, pelas prisões, câmaras de tortura e choças de escravos, por campos de batalhas e locais de execuções; se abríssemos para ele todas as escuras moradas da miséria, onde ele se esconde dos olhares da fria curiosidade; e, finalmente, deixássemos que ele olhasse para dentro dos famintos calabouços de Ugolino, também ele iria compreender, afinal, a natureza deste "melhor de todos os mundos possíveis". Porque, de onde tirou Dante a matéria-prima do seu inferno, a não ser do nosso mundo real? E no entanto, ele fez um inferno muito adequado com esse material. Mas quando, por outro lado, pretendeu descrever o céu e suas delícias, teve diante de si uma dificuldade insuperável, pois o nosso mundo não fornece matéria-prima alguma para isso...