A onipotência é mais uma das qualidades esdrúxulas que encontramos vinculadas às divindades supremas. Em nosso dia a dia, estamos acostumados a lidar somente com potências finitas, que são facilmente pensáveis e mensuráveis — podem ser somadas, subtraídas, anuladas. Porém, quando levamos essa questão ao âmbito do ideal, ou seja, à potência infinita e absoluta, vemos que então ela se torna irremediavelmente absurda e contraditória. Deus, por mais que quisesse, não poderia restringir-se de algo sem, ao mesmo tempo, abdicar de sua onipotência, o que o faria deixar de ser Deus. Por exemplo, um Deus dotado de poder infinito poderia criar algo indestrutível? Não, pois a própria onipotência, por definição, nega a indestrutibilidade de qualquer coisa, visto que “poder tudo” inclui “poder destruir tudo”. Entretanto, ao mesmo tempo, ser onipotente também inclui “poder criar tudo” — até coisas indestrutíveis. Isso implica contradição. Concluímos, então, que o “criar algo indestrutível” não ...