Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de novembro, 2021

A incongruência da Onipotência

  A onipotência é mais uma das qualidades esdrúxulas que encontramos vinculadas às divindades supremas. Em nosso dia a dia, estamos acostumados a lidar somente com potências finitas, que são facilmente pensáveis e mensuráveis — podem ser somadas, subtraídas, anuladas. Porém, quando levamos essa questão ao âmbito do ideal, ou seja, à potência infinita e absoluta, vemos que então ela se torna irremediavelmente absurda e contraditória. Deus, por mais que quisesse, não poderia restringir-se de algo sem, ao mesmo tempo, abdicar de sua onipotência, o que o faria deixar de ser Deus. Por exemplo, um Deus dotado de poder infinito poderia criar algo indestrutível? Não, pois a própria onipotência, por definição, nega a indestrutibilidade de qualquer coisa, visto que “poder tudo” inclui “poder destruir tudo”. Entretanto, ao mesmo tempo, ser onipotente também inclui “poder criar tudo” — até coisas indestrutíveis. Isso implica contradição. Concluímos, então, que o “criar algo indestrutível” não ...

Deus existe para nós porque nos disseram

      Foste vós que, primeiramente, afirmastes a existência de Deus; deveis, pois, ser os primeiros a pôr de parte vossas afirmações. Sonharia eu, alguma vez, com negar a existência de Deus, se vós não tivésseis começado a afirmá-la? E se, quando eu era criança, não me tivessem imposto a necessidade de acreditar nele? E se, quando adulto, não tivesse ouvido afirmações nesse sentido? E se, quando homem, os meus olhos não tivessem constantemente contemplado os templos elevados a esse Deus? Foram as vossas afirmações que provocaram as minhas negações. Cessai de afirmar que eu cessarei de negar. Sebastièn Faure

Em caráter de aniquilação

     O animal conhece a morte tão-somente na morte; já o homem se aproxima dela a cada hora com inteira consciência e isso torna a vida às vezes questionável, mesmo para quem ainda não conheceu no todo mesmo da vida o seu caráter de contínua aniquilação. Arthur Schopenhauer - MVR