Assim como temos a Navalha de Occam, como o princípio lógico segundo o qual, ao explicar um fenômeno, não devemos buscar soluções desnecessariamente complexas, mas, pelo contrário, nos ater às hipóteses mais modestas, desde que sejam capazes de explicá-lo suficientemente bem, é admissível propor, a título de escárnio, a Navalha de Cancian, como o subprincípio segundo o qual as entidades não devem ser elogiadas desnecessariamente. Ou seja, quanto mais uma teoria é elogiosa ao seu dono, mais probabilidade tem de estar errada. Não deve massagear o ego de seu representante além do estritamente necessário. De fato, seria até recomendável partirmos das premissas mais detestáveis e insultuosas que pudermos sustentar, pois invariavelmente correspondem às mais simples e prováveis. Um exemplo de sua aplicação: ao ouvirmos certo indivíduo alegar que possui a capacidade de transgredir as leis físicas, o que deveríamos pensar? O indivíduo diz que, se estiver suficientemente concentrado para canal...