"... os opressores se esforçam por matar nos homens suas condição de "ad-miradores" do mundo. Como não podem consegui-la, em termos totais, é preciso, então, mitificar o mundo. Daí que os opressores desenvolvam uma série de recursos através dos quais propõem a "ad-miração" das massas conquistadas e oprimidas num falso mundo. Um mundo de engodos que, alienando-as mais ainda, as mantenha passivas em face dele. Daí que, na ação da conquista, não seja possível apresentar o mundo como problema, mas, pelo contrário, como algo dado, como algo estático, a que os homem se devem ajustar... O mito, por exemplo, de que a ordem opressora é uma ordem de liberdade. De que todos são livres para trabalhar onde queiram. Se não lhes agrada o patrão, podem então deixá-lo e procurar outro emprego. O mito de que esta "ordem" respeita os direitos da pessoa humana e que, portanto, é digna de todo apreço. O mito de que todos, bastando não ser preguiçosos, podem chegar a ser...